Capa: Criação coletiva
01 de JAN de 2001
Trama dupla
Alberto Barbour,30, e Alexandre Liba, 32, cruzaram suas linhas de interesse na faculdade, a USP de São Carlos.A parceria foi formalizada três anos atrás, no escritório Urdi, que já nasceu diferenciado, por causa da expertise dos sócios em arquitetura cênica. Agora, eles interferem nos espaços do Colégio São Luís.
 
Kiko Masuda/Divulgação
Cantina do Colégio São Luís depois da intervenção do escritório Urdi, formado pelos arquitetos Alexandre, 32, e Alberto, 30
Cantina do Colégio São Luís depois da intervenção do escritório Urdi, formado pelos arquitetos Alexandre, 32, e Alberto, 30
A escola, um grupo de prédios no quarteirão que pega Paulista, Bela Cintra, Haddock Lobo e Luís Coelho, precisa crescer, mas sem aumentar a área que ocupa.Já passou por tanta obra nos seus 140 anos que o resultado é uma mistura de estilos e um mau uso dos espaços.Os moços da Urdi, inicialmente chamados para traçar o teatro do São Luís, estudaram os desafios do conjunto e também do quarteirão. Junto com os clientes jesuítas, concluíram que o certo era fazer um plano de intervenção de médio e longo prazos, tocando os projetos por ordem de necessidade.

O trabalho começou pelos laboratórios, hoje reformados. Em seguida, surgiu um espaço para as crianças brincarem, enquanto aguardam os pais na saída. O escritório dinamizou a cantina e atraiu público para ela, banhando-a de luz natural e integrando-a à piscina (mas não criou "área de convivência", porque "área de convivência não é projetada, é eleita", cutuca Barbour). O centro de eventos e as calçadas do quarteirão também foram modernizados.A saga continua, agora com o projeto do teatro.
 
Fotos Cris Bierrenbach/Folha Imagem
Arquitetos Alexandre, 32, e Alberto, 30
Arquitetos Alexandre, 32, e Alberto, 30
Do todo aos detalhes, da mera reforma de um banheiro à criação de um edifício público com 10 mil m2 (caso do teatro municipal de São José dos Campos, projetado pelo Urdi), o que caracteriza o trabalho da dupla não é uma "linguagem", como eles falam ironicamente, mas um jeito de fazer, e esse jeito é em equipe, o que pressupõe "linguagens".

No Urdi, tudo começa com dois, mas pode terminar com 200."Arquitetura é um fractal de especialidades.Aimportância da equipe, na nossa geração, é uma resposta à forma como esse ofício se desenvolveu nos últimos tempos.É um jeito de correr atrás de tecnologia e qualidade", diz Barbour."Já na faculdade percebemos que o que você desenvolve sozinho não atende mais ao mercado."

Daí os novos escritórios evitarem nomes próprios na razão social, siglas, acrônimos. "Às vezes um nome encabeça tudo, mas é só um status.Sempre tem uma grande equipe em um grande projeto.Quando montamos a empresa, fizemos questão de um nome que expressasse o conceito do trabalho em equipe", diz Barbour. Urdi vem de urdidura,conjunto de traves no teto de um palco. Explica Liba: "É um equipamento fundamental em teatro, uma das nossas frentes de trabalho. Mas também significa tecer.Tudo a ver com essa poética de elaborar um projeto cruzando informações e sintetizando as linhas mais diferentes."
 

Autor: por Heloísa Helvécia, Danae Stephan e Renato Schroeder
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/morar4/rf3108200702.shtml
  
voltar as postagens
Posts relacionados
Deixe seu comentário
.